Política


“Cansei de não ser levado a sério”, diz vereador Mateus ao deixar o PP de Carlos Barbosa

Descontente com a sigla, ele subiu na tribuna para pedir sua desfiliação alegando sentir que não é mais útil ao partido
26/10/2021 Portal Adesso - Foto: Arquivo Pessoal

     Na sessão ordinária desta segunda-feira (26), o vereador Mateus Chies Guerra (PP), utilizou seu espaço no Grande Expediente para se manifestar contrário às atitudes e os rumos que o Partido Progressista de Carlos Barbosa vem tomando. 

     Segundo Mateus, o partido barbosense está esquecendo de pessoas que nos últimos anos trabalharam ativamente na construção partidária. “O que eu percebo, é que neste momento, muitas pessoas que alavancaram o PP, deram o seu máximo pela sigla caíram no esquecimento em decorrência desta que chamam de nova política. Eu não concordo com a ideia de que o novo deve desprezar o velho”, afirmou. 

     Ele também criticou a atual administração. Sem citar o nome do prefeito Everson Kirch (PP), no qual foi seu colega como vereador, Mateus Guerra, disse que na política, ninguém vai a nenhum lugar sozinho. “O prefeito não se elege sozinho, pois cada um dos candidatos que disputou a vereança levou seu nome para a população e pediu o voto de confiança, mas isto para os atuais gestores parece ser irrelevante”, afirmou. 

     O parlamentar ainda falou: “Durante a campanha todos os correligionários são de extrema relevância. Passada às eleições, o que se vê é a falta de reconhecimento, o esquecimento.  Decisões tomadas de forma individualizada ou de um número muito reduzido diante do tamanho do PP de Carlos Barbosa. Os ideais partidários deve estar acima dos interesses pessoais, porém, infelizmente, não vejo isso nos gestores municipais eleitos através do PP e das pessoas que comandam este partido”, ressaltou.

     Ainda em seu discurso, Mateus reclamou da forma que a sigla tem tratado alguns integrantes. “Agora que o objetivo foi alcançado, algumas pessoas que vestiram a camisa, foram simplesmente esquecidas, ignoradas e até desprezadas e eu me considero uma destas. Assim, por sentir que não sou mais útil a este partido ao qual fui fiel e defendi ferrenhamente nesta casa, anuncio meu desligamento em decisão definitiva”, concluiu. Terminando o pronunciamento, ele disse que a saída do PP não é um ponto final em sua carreira política, mas que neste momento, seguirá sem nenhuma filiação.

     Após sua manifestação, quem utilizou a tribuna foi o vereador Adair Zílio, o Tita (PP). Zílio se disse triste com a saída de Mateus, porém questionou os motivos. Ele concedeu aparte para Mateus que pegou o microfone firmemente e disse: Cansei de não ser levado a sério. Eu avisei, cansei de não ser levado a sério”, falou. 

Mateus Chies Guerra

Dentista por formação, ele entrou na política em 1994 quando se filiou ao PMDB. Permaneceu no partido até o ano de 2005. Através de um convite feito pelo ex-prefeito Irani Chies (PP), ele deixou o PMDB e filiou-se no PP, sendo que disputou sua primeira eleição em 2008 ficando como segundo suplente. 

Nas eleições de 2012 e 2016 se elegeu e ficou na câmara durante seus dois mandatos (8 anos). Nas últimas eleições, Chies não foi bem e não conseguiu se eleger. Ele ficou na segunda suplência e atualmente assumiu por 30 dias a cadeira de vereador em Carlos Barbosa. 


Cada um colhe o que plantou, diz presidente do PP de Carlos Barbosa

     Procurado para falar sobre a saída do vereador Mateus Chies Guerra, o presidente do Partido Progressista de Carlos Barbosa, Ansélio Perera, disse que o ex- filiado deixava a desejar na participação partidária. “Muitas vezes ele apoiou o partido, mas muitas vezes ele não foi o partidário que a sigla espera e deseja. Na política, temos que ter uma participação ativa e o que dizer de um integrante que não participa de reunião?”, indagou Ansélio.

     O presidente ainda disse que Mateus Chies Guerra ao longo do ano, não participou de 10 das 11 reuniões realizadas pelo PP. “Na convenção municipal ele não esteve presente, na reunião da executiva com mais de 70 pessoas, ele se ausentou. Portanto, há muito tempo ele já não estava no PP”, frisou Perera. 

     Finalizando a questão, Ansélio ainda disse que é preciso ser sincero e honesto com a população e falar realmente os motivos sobre a saída do vereador. “A nossa administração não negocia apoio em troca de cargos políticos para ninguém. Não prometemos emprego para ninguém. A verdade pode ser que venha à tona, mas não sou eu quem vou dizer”, concluiu o presidente




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