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Aos 83 anos morre a escritora Lia Luft

Ela faleceu em sua casa na Capital Gaúcha nesta quinta-feira, dia 30
30/12/2021 Portal Adesso

     A escritora gaúcha Lya Fett Luft morreu nesta quinta-feira, dia 30, aos 83 anos. Considerada uma das mais importantes escritoras contemporâneas, Lya morreu em casa. Ela lutava contra um melanoma. A escritora deixa o marido, Vicente de Britto Pereira, os filhos Suzana e Eduardo, além de sete netos. O corpo deve ser cremado em cerimônia restrita aos familiares.

     Lya teve 31 obras publicadas, entre diversos gêneros, como romances, coletâneas de poemas, crônicas, ensaios e livros infantis. Também foi colunista em jornais e era professora aposentada da UFRGS. Recentemente, no dia 16 de dezembro, ela foi agraciada pela Academia Rio-Grandense de Letras com o Troféu Escritora do Ano. Entre os livros mais conhecidos estão "As Parceiras", "Pensar é Transgredir", "Perdas e Ganhos" e "Lado Fatal". 

Trajetória 

    Nascida em Santa Cruz do Sul em 15 de setembro de 1938, filha de descendentes alemães, Lya foi incentivada pelos pais a desenvolver o hábito da leitura ainda na infância. Formou-se em Letras Anglo-germânicas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em 1963, sendo mestre em Linguística e Literatura Brasileira. Entre suas publicações dos anos 1980 estão “As Parceiras” , “A Asa Esquerda do Anjo” e “Reunião de Família”. Em 2003, conquistou o público com reflexões pessoais em “Perdas & Ganhos”. O livro tornou-se um best-seller, com versões para inglês, alemão, espanhol, francês e italiano.

      Em 2020, lançou “As Coisas Humanas” em homenagem ao filho André (1966 - 2017). Com tradutora foi responsável pela versão em português de livros de autores como Virginia Woolf, Rainer Maria Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho Strauss e Thomas Mann. Seu livro de ensaios “O Rio do Meio”, de 1996, foi considerado a melhor obra de ficção do ano e recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2001, recebeu o Prêmio União Latina de Melhor Tradução Técnica e Científica, pela obra “Lete: Arte e Crítica do Esquecimento”, de Harald Weinrich. Em 2013, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, com a obra “O Tigre na Sombra”, eleita a melhor obra de ficção de 2012, na categoria romance. Em 2016, recebeu o Diploma Bertha Lutz.

     Para o público infantil, escreveu, em parceria com o filho filósofo Eduardo Luft, “Criança Pensa". Com ilustrações de sua filha Susana Luft, o livro reúne questionamentos filosóficos, juntando poesia, conversas e muita aventura para elaborar a ideia de mundo das crianças. Para esse publico, também publicou "Histórias de Bruxa Boa" e "A Volta da Bruxa Boa".

Família

     Com o professor de Redação em Língua Portuguesa, Celso Pedro Luft (1921 – 1995), teve os filhos: Suzana, André e Eduardo. Após a separação de Luft, casou-se com o psicanalista e escritor Hélio Pelegrino (1924 - 1988). Seu terceiro marido, o engenheiro de transportes carioca Vicente de Britto Pereira.




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