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Morre o apresentador Nico Fagundes, o "Gaúcho de todas as Querências"

25/06/2015 Rádio Guaíba / ZH.com.br

     Morreu na noite desta quarta-feira, em Porto Alegre, o poeta, advogado e apresentador nativista Antonio Augusto Fagundes, conhecido como Nico Fagundes. Ele tinha 80 anos e permanecia, há mais de um mês, internado na UTI do Hospital Ernesto Dornelles. O diagnóstico não foi detalhado, a pedido da família, mas o folclorista tinha diversos órgãos comprometidos, como o coração. O velório ocorre, das 8h às 17h desta quinta-feira, no Palácio Piratini.

     Nico Fagundes ficou conhecido por apresentar o programa Galpão Crioulo, da RBS TV, durante mais de 30 anos, até 2012, quando a atração passou a ter, no comando, o sobrinho, Neto Fagundes. Ele também era um estudioso de costumes gauchescos como culinárias, vestimentas e cultura.

     Em 2010, o cantor chegou a ficar em coma induzido para tratar de uma infecção causada por uma bactéria. Formado em Direito, História e Antropologia, Nico é o autor da música Canto Alegretense, composta em homenagem à cidade onde nasceu e notabilizada como uma espécie de hino extraoficial do Rio Grande do Sul.

     Perto das 22h30min, o governador José Ivo Sartori emitiu nota de pesar: ”O Rio Grande do Sul perde Nico Fagundes, um grande amigo, que muito contribuiu para a cultura gaúcha e com a preservação das tradições. Nico parte, mas seu legado permanece para a presente e as futuras gerações. Nossos sentimentos aos familiares”, escreveu.

 

Os significados por trás do "Canto Alegretense"

    Todo gaúcho que se preza sabe cantar pelo menos trechos do célebre Canto Alegretense - mas nem todo rio-grandense sabe com exatidão a que se referem algumas das expressões incluídas na letra ou qual a origem de alguns dos seus versos já clássicos.

    Principalmente para a população urbana, muitas vezes escapa o significado de passagens como "flor de tuna, camoatim de mel campeiro" ou o que são as "quebradas do Inhanduí". Com auxílio de especialistas em fauna e flora do Estado e da família Fagundes, ZH montou um apanhado do que querem dizer algumas das palavras e expressões que ajudaram a transformar o Canto Alegretense em uma espécie de hino sentimental do Rio Grande.

    Além disso, Nico e outros integrantes do grupo familiar ajudaram a contextualizar algumas das frases que acompanham uma das melodias mais entoadas por gaúchos e gaúchas de todas as querências. Confira, abaixo, alguns detalhes por trás da composição de Nico Fagundes.

 

Canto Alegretense

Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do seu próprio coração

Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão
Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no Rio Ibirapuitã
Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduí
E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão

 

 

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