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Polícia identifica mãe de bebê que teve cabeça cortada no interior de Caxias

19/05/2014 Pioneiro.com - Foto: Sissi Moreira / Divulgação

     A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) identificou a mãe do bebê que teve a cabeça cortada no interior de Caxias do Sul. A mulher tem 28 anos e admitiu em depoimento que escondeu a gravidez da família. Segundo ela, a criança morreu ao nascer.

     A cabeça do bebê foi encontrada na quinta-feira da semana passada, dia 15, em uma propriedade de Nossa Senhora da Rocca, região de São Virgílio da 6ª Légua, onde residem familiares da mulher.

     De acordo com a delegada Suely Rech, responsável pela investigação, o bebê nasceu em casa, num loteamento na Zona Sul da cidade. A mulher estava sozinha na residência. O parto aconteceu no dia 29 de abril. Após o nascimento, a criança foi enrolada em uma rede e em um cobertor (foto abaixo) e colocada dentro de um balde com roupas. O corpo ficou na moradia durante três dias. — Ela mora no porão da casa dos pais e ninguém sabia da gravidez. Ela nos disse que o bebê caiu no chão durante o parto e morreu. No dia 2 de maio, ela saiu para visitar uma familiar em São Virgílio e levou o corpo do bebê. Chegando lá, largou a criança dentro de uma sacola sobre umas pedras longe da moradia — relata a delegada.

     A mulher ficou cerca de 10 dias com os familiares no interior. Nesse período, cães teriam encontrado a sacola e comido parte do corpo da criança, segundo suspeitas da polícia. Moradores encontraram a cabeça no mato no dia 15.O caso foi desvendado no último sábado, mas a polícia já havia interrogado a mãe um dia antes. Os agentes da DPCA fizeram uma varredura em Nossa Senhora da Rocca e ouviram diversas pessoas até identificar a mulher. No primeiro momento, ela negou qualquer envolvimento, mas voltou atrás com a possibilidade de ser submetida a um exame de DNA.

 

— Aguardávamos a chegada de uma equipe dos bombeiros com cães farejadores e ela nos procurou para admitir que era a mãe do bebê — descreve Suely. Com ajuda da mãe, a equipe de buscas encontrou o cobertor e a rede perto das pedras onde o corpo havia sido largado. O ponto é distante do local onde estava a cabeça. A princípio, Suely descarta a suspeita de decapitação conforme as primeiras impressões do Departamento de Perícia do Interior (DPI):— Pelos resquícios no cobertor e na rede se percebe que não houve decapitação. Vasculhamos toda a área e não encontramos outros restos do corpo. Essa criança possivelmente nasceu viva.

      A mãe mora há cinco meses em Caxias. Ela veio de Roraima, tem outros dois filhos, é separada e não tem emprego. Por esse motivo, a gravidez era indesejada. — Tem toda uma situação por trás: ela escondeu a gestação porque não sabia quem era o pai, veio para cá sem emprego e tem filhos pequenos para criar. Também não descartamos que o bebê tenha morrido sufocado —  adiantou Suely.

     Segundo a delegada, a mulher responderá ao inquérito em liberdade e será encaminhada para avaliação psiquiátrica nesta semana. A DPCA também aguarda o resultado da necropsia para apontar as causas da morte. A identidade da mãe está preservada porque não há indiciamento ou prisão em flagrante.

 

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