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Caminhoneiros estão divididos com relação à greve

Paralisação convocada pelo Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas está prevista para 1º de fevereiro
29/01/2021 Correio do Povo

     A greve dos caminhoneiros no Brasil, convocada pelo Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) para a próxima segunda-feira, 1º de fevereiro, divide a categoria no Rio Grande do Sul. A classe concorda nos motivos da mobilização, que inclui o aumento no preço dos combustíveis e uma série de reivindicações não atendidas após a paralisação de 2018. Mas há divergências sobre o momento para um ato desta proporção.

     Os organizadores preveem a participação de cerca de 2 milhões de caminhoneiros, entre trabalhadores autônomos e com carteira assinada, em pelo menos 18 estados. Na última terça, o movimento ganhou a adesão da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), que orientou 800 mil motoristas a integrarem o ato. A falta de avanços na legislação para a criação de um piso mínimo de frete é fator preponderante para uma eventual nova greve. O porta-voz da CNTTL, o caminhoneiro autônomo Carlos Alberto Litti Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) de Ijuí diz que a agenda de reivindicações está parada desde a paralisação de três anos atrás.

     Segundo Liti, a categoria não aguenta mais “tanta exploração e a insensibilidade do governo Bolsonaro e do Supremo Tribunal Federal (STF)” e lamenta o mais recente reajuste da Tabela do Piso Mínimo de Frete, realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). “Tivemos um reajuste de 2,51% que é ínfimo. Só para se ter ideia o preço do pneu teve aumento nos últimos três meses de mais de 60%, seja nacional ou importado. Até hoje não tivemos o julgamento do Piso pelo STF. Não podemos suportar essa situação. Hoje temos um piso mínimo da fome. Para nós inconstitucional é a fome e a exploração. Vamos dar um basta nisso. Vamos cruzar os braços no dia 1º de fevereiro”, destaca Litti. O movimento também terá a adesão de outra forte entidade do setor, a Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB).

     Por outro lado, a Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac) definiu ser contrária a uma greve neste momento. Em nota, após reunião com diversas entidades, incluindo a Federação dos Caminhoneiros do Rio Grande do Sul (Fecam/RS), anunciou que, apesar de “a categoria sofrer com os altos preços do combustível, decorrentes de uma carga tributária abusiva e descabida, dos baixos preços dos fretes ofertados e descumprimento do Piso Mínimo de Fretes”, não reconhece a CNTRC como representante dos caminhoneiros autônomos, “pois não existe de fato nem de direito”.

     Jair Bolsonaro fez um apelo aos caminhoneiros para demoverem a ideia da greve, mas a CNTRC, que afirma ter 40 mil afiliados em 22 estados, confirmou a paralisação, caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas. O governo federal pretende anunciar, em breve, a redução do PIS/Cofins que incide sobre o óleo diesel, como um aceno ao setor. A ideia do Palácio do Planalto é anunciar a medida antes da eleição para as presidências da Câmara e do Senado, marcada para a mesma segunda-feira, dia 1º.


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