Coronavírus


Colapso: Hospital aluga contêineres refrigerados para armazenar corpos

Com o número de mortes aumentando devido a Covid-19, um dos principais hospitais de Porto Alegre adotou esta medida
03/03/2021 Portal Adesso - Foto: divulgação
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     O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, alugou contêiner refrigerado para colocar pacientes mortos, após o esgotamento do necrotério do local, que ultrapassou a capacidade de acomodação de falecidos na instituição. A partir desta terça-feira (2), foi instalado provisoriamente um contêiner refrigerado no hospital. 

     O motivo é o  aumento do número de óbitos em função da Covid-19, onde hospitais e funerárias têm lidado com o ineditismo da alta demanda por serviços e ocupação dos necrotérios. O Hospital Moinhos de Vento (HMV), que há dias opera com esgotamento da ocupação de sua UTI, adotou a medida para evitar que falte local para armazenar os corpos. Além do hospital Moinhos,  o Instituto Geral de Perícias (IGP) avalia o aluguel de estruturas semelhante para atender casos de contingência no Estado.

 Por meio de nota oficial, O HMV reforçou que, diante da progressão das internações, gravidade dos casos e "potencial crescimento no número de óbitos", teve de colocar em prática a "expansão programada em plano da estrutura do morgue (necrotério)". Segundo a instituição, mesmo que não venha a ser utilizado, o contêiner será alugado como medida preventiva e necessária. "Será utilizado somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo. A estrutura atual comporta até três óbitos e está adequada às normas, condições de normalidade e porte do Hospital Moinhos de Vento", destaca o texto.

     Em entrevista a uma emissora de televisão, no entanto, o superintendente médico do hospital, Luiz Antonio Nasi, admitiu lotação da capacidade do necrotério e o aluguel do contêiner para adequar essa demanda. De acordo com a assessoria do HMV, a previsão é de que o equipamento seja instalado na manhã desta quarta-feira (3).

     Segundo representantes da área da Saúde da Capital, a possibilidade de recorrer a contêineres também estaria sendo avaliada por outros hospitais da cidade, como o Conceição, mas a diretoria do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) afirma que o morgue local, com capacidade para 24 corpos, não está operando na totalidade. "No momento não há necessidade de contratação de contêiner", informou o diretor-presidente do GHC, Cláudio Oliveira.

     Membro da Associação das Empresas Funerárias de Porto Alegre (Aefpoa) e sócio da Funerárias São Pedro, Günter Kannenberg comenta que há uma semana as funerárias vêm registrado aumento na demanda para enterros de vítimas da Covid-19. Segundo ele, sua empresa chegou a atender 12 famílias nessa condição no mesmo dia, algo inédito até então. "No início da pandemia, no ano passado, nos preparamos para o pior, renovamos estoques, treinamos pessoal, nos adequamos a todos os protocolos. Mas só agora estamos realmente sentindo o aumento da demanda", ressalta.

     Ele assegura que os serviços funerários da Capital estão preparados para atender as famílias e reforça que a cidade tem condições de absorver a demanda de sepultamentos, em um eventual cenário de piora nos números de vítimas da Covid. Kannenberg defende, no entanto, atenção dos governos para a necessidade de imunização dos profissionais que atuam no setor. "Prestamos um serviço essencial, mas não somos considerados essenciais para a vacinação, quando, na verdade, trabalhamos em risco", comenta.


     Nota divulgada pelo Hospital Moinhos de Vento

    "O Hospital Moinhos de Vento iniciou, esta semana, a execução de mais uma etapa do seu Plano de Gestão de Crise — elaborado pelo Comitê de Enfrentamento da COVID-19, criado no começo do ano passado. O momento atual registra os índices mais altos de internações e agravamento dos casos, gerando potencial crescimento no número de óbitos.

     Diante desse cenário, o hospital colocou em prática a expansão programada em plano da estrutura do morgue (necrotério). Mesmo que não venha a ser utilizada, trata-se de uma medida preventiva que se faz necessária dentro dos padrões de qualidade assistencial e médica da instituição. A partir desta terça-feira (2), será instalado provisoriamente um contêiner refrigerado anexo ao hospital. Será utilizado somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo. A estrutura atual comporta até três óbitos e está adequada às normas, condições de normalidade e porte do Hospital Moinhos de Vento.

     Há um ano, a instituição aplica medidas e adapta suas rotinas, buscando garantir a qualidade do atendimento e a segurança às equipes e pacientes. Abriu leitos de terapia intensiva de retaguarda e fechou a tenda de atendimento a pacientes com suspeita de COVID-19, direcionando para o atendimento da Emergência, que só recebe casos classificados como vermelho e laranja. Também, limitou a transferência de pacientes que necessitam de leitos no Centro de Terapia Intensiva. Os esforços são voltados a proporcionar o suporte necessário para ocasionar os melhores desfechos possíveis.

     O Hospital Moinhos de Vento está com mais de 100% de ocupação dos leitos de terapia intensiva. Pessoas com menos de 60 anos de idade correspondem a 35% dos pacientes internados, o que enseja um sinal de alerta para que a população mais jovem redobre os cuidados. A instituição reforça o apelo à comunidade para que atente às normas de proteção. É fundamental que todos sigam as orientações das autoridades sanitárias, utilizando máscara em todos os momentos e higienizando as mãos e os ambientes de contato. E recomenda, ainda, que evitem ao máximo aglomerações e circulações desnecessárias, mantendo sempre o distanciamento social, principalmente neste momento crítico."



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